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<title><![CDATA[Comentarios al libro: CONTEMPLAÇÃO. O FOGUISTA (EM PORTUGUESE DO BRASIL)]]></title>
<link><![CDATA[https://api.biblioeteca.com/biblioeteca.web/titulo/contemplacao.-o-foguista-%28em-portuguese-do-brasil%29]]></link>
<description><![CDATA[Para traduzir o título do primeiro livro publicado por Kafka, Modesto Carone preferiu a palavra contemplação (em vez de <i> meditação </i> ou <i> consideração </i> , por exemplo). A escolha evoca uma característica comum aos dezoito textos que compõem a obra: em todos eles o olhar do observador, seja ele narrador em primeira ou em terceira pessoa, concentra-se no estado em que as coisas se apresentam ao serem observadas.Quem contempla mergulha numa espécie de presente contínuo. Ignora o passado das coisas, a história que as tornou o que são agora, neste instante. Ignora também o futuro; não projeta, não cria expectativas, não concebe planos para influir sobre o que elas são neste momento. Contemplar é um modo de observação que exclui o desejo e a necessidade de agir sobre as coisas.Não interrogando nem o passado nem o futuro, os narradores e personagens de <i> Contemplação </i> tornam-se especialmente persuasivos. Movimentam-se no mundo como se fosse eterna a duração do <i> status quo </i> . Mesmo em textos como "Os que passam por nós correndo", "Decisões" ou "Desejo de se tornar índio", o que parece constituir-se como pensamento especulativo traduz antes uma adesão empática ao estado imediato das coisas, como se quem observa (a si mesmo ou ao que lhe é exterior) desconhecesse a passagem do tempo - e, portanto, não soubesse discriminar ou supor relações de causalidade. Já acompanhamos aqui uma das linhas de força da literatura kafkiana: a "naturalização do absurdo", para usar a expressão de Modesto Carone.Em <i> O foguista </i> , o arroubo juvenil de um rapaz de dezessete anos desencadeia um simulacro de julgamento em que a noção de justiça será confrontada com os imperativos da disciplina. No entanto, esse embate se dilui quando surge para o rapaz uma perspectiva inesperada de felicidade individual. Criando coincidências, entrelaçando abruptamente situações e sentimentos que uma compreensão realista manteria distantes, Kafka materializa, também aqui, um pouco [...]]]></description>
<lastBuildDate>Thu, 25 Jun 2026 17:38:46 +0000</lastBuildDate>
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